quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Desembarcando

Rio de Janeiro, 29 de julho de 2009

Desembarque em Santos Dumont.

É foda. Não existe imagem mais linda do que chegar no Rio de Janeiro pelo Santos Dumont.

É visão mais linda que se pode ter. Deu um conforto no coração quando o  trem de pouso bateu no chão.
Cada passo era uma sensação diferente.

Taxi. Destino: Rua da assembléia, 10.

Logo ali!

Chego ao 12:30 na frente do prédio. A reunião é as duas e resolvo ligar para o meu mediador.

"Fala, cara! Que bom que tu veio! Tô indo ai te pegar pra almoçar"

Me chega um rapaz vestido normalmente e fomos andando até um boteco.

Cardápio: Alcatra mal passada e acompanhamentos!

Que delícia! Maravilhosa

Lá conheço mais um dos sócios.

Primeira impressão é de acolhimento e sem diferenças chocantes do meu convívio em Floripa.

Chego na empresa e vejo muitos sorrisos. Olhos voltados para mim. Como se estivessem dizendo:

"Cabeludo? Barbudo? Tatuado? Esse é o novo gerente? Manêro!"

Depois de apresentações, me levam até o gerente de TI. Mais uma pessoa fantástica e super agradável. Muita conversa e identificação. Me sinto cada vez mais a vontade e acolhido. Todos me escutam. Querem saber da minha música, da minha história. Das coisas que venho passando.

"Ótimo. Gostei de você. Tem o  perfil. Vamos agora falar com  o outro sócio para negociar valores."

Espero durante uma meia hora, então conheço mais um sócio. Pessoa séria, mas com um sorriso seguro no rosto de quem quer propor coisas boas para mim e para a empresa.

Conversa e reconhecimentos são feitos.

"Gostei. E pelo visto o pessoal também gostou."

"Fico feliz. Acho que podemos nos dar muito bem."

"Bom a proposta é de R$..."

"..."

"Então?"

"Bom eu entendo, mas devido as circunstâncias aqui apresentadas, queria fazer uma contraproposta de R$..."

"Não, não... isso não dá. Então fazemos por R$... Que tal? Já são R$... a mais."

"Interessante. Mas posso voltar pra Floripa e pensar junto com o pessoal? Acho a proposta boa, mas a partir de agora, não posso tomar mais nenhuma decisão sozinho."

"Claro. Fique a vontade."

"Bom como não comprei passagem de volta, pois não sabia o futuro de tudo, então vou voltar de ônibus. Onde é a rodoviária?"

Dois dos sócios me levam até o ponto de ônibus.

"É só pegar o Rodoviária. Olha lá. Lá vem!"

"opa!"

"Marco. Espero que você venha trabalhar conosco. Gostei muito de você."

" :-) "

Peguei o ônibus e fui. Cheguei no terminal de ônibus e fiquei perdido...

"Ué? Não era rodoviária? Será que rodoviária aqui no RJ é terminal de ônibus?"

Sento num banco e reflito....

"Ei, moço.. deixa eu engraxar teu sapato."

"Desculpe, amigo. É um tênis. All Star."

"Mas eu limpo ele, tá sujinho. Dá um força ai vai."

"Não obrigado. Não dá pra fazer esse serviço em tênis..."

"Pô, qualé, mermão.. tá tranquilo."

"Beleza!"

Saio dali e vou direto a um taxista.

"Amigo. Pode me levar para a Rodoviária?"

"Hahahahahahahaha"

"O que foi?"

"hahahahahahaha"

Vem outro taxista

"Ei, ei. Quer ir pra rodoviária?"

"Sim. Quanto sai?"

"10 real."

"Vamo embora!"

"O outro cara tava rindo porque não ia te levar. A rodoviária é aqui do lado!"

O taxi só virou a esquina e eu já estava na rodoviária.

"10 real, amigo"

Dai eu comecei a entender a "malandragem" carioca.

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