quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ligação

Florianópolis, 28 de Julho de 2009

Tinha acabado de almoçar no Shopping da Trindade... não lembro porque fui lá. Tai estava com Catarina na barriga em casa, descansando e sempre procurando o melhor para a vida.

Depois de comer uma batata de calabreza, gigante e deliciosa, uma lágrima caiu....

Depois veio outra... e mais outra... e elas foram vindo... Claro que não foi igual a quando recebi a notícia que iria ser Pai (Fiquei dois dias chorando sem parar, né Zé Pereira?). Mas uma lágrima de alguém que não conseguia enxergar uma saída... um caminho para dar o melhor para minha família.

A Música sempre me ergueu nesses momentos. Quando penso na música, sorrio. É a minha satisfação de compartilhar isso com os outros. Não tem preço. Amo Taise porque ela compartilha isso comigo como ninguém. Ela é minha música.

O problema que o financeiro do processo musical que vivo é muito lento, as vezes não vem e se é que vem... Então realmente precisa-se de outros caminhos para se ter uma base dentro de uma cultura sócio-capitalista. Normal. Comigo funcionou sempre assim e consegui ter sucesso financeiro e musical com isso.

O problema era ter que ralar, dentro das minhas habilidades, por algo que me desse pelo menos um retorno de receita satisfatório....

São quase 17 horas e vou caminhando até o carro para voltar pra casa no Rio Tavares... Olho pro carro e penso.. "Vender essa merda já são mais 3 meses garantidos... e aí?"
Toca o telefone, o ddd é de São Paulo. Pensei no primeiro momento que era o meu amigo Marcelo (hamotivo.blogspot.com). Se eu fosse começar a escrever algo sobre esse cara, daria um livro de mais de 200 páginas.. É o meu anjo.

Não era o Marcelo e sim um dos Parceiros da empresa que eu trabalhava.

"Marco, quero te fazer uma proposta. Mas tem que ser logo!"

"Beleza... é... então.. diga!"

"Abriu uma vaga aqui na empresa, mas você vai ter que se mudar pro Rio. Topa?"

"..."

"Marco?"

"..."

"E aí, Marco. Topa?"

"Caralho, bicho... calma... calma... peraí... que honra... nossa..."

"Pois é cara. Gostei muito do teu trabalho e quero você na minha equipe"

"Calma, cara. Eu tenho uma mulher grávida em casa.."

"Você vai ser pai? Caramba.. Então faz o seguinte, conversa com ela e me liga daqui a duas horas. Belê?"

"Beleza. Abraços!"

Agora as lágrimas não eram de tristeza... reverteram... um pouco parecidas como a da notícia da paternidade. Um pouco de preocupação, alegria, tensão, medo....

Liguei pra Tai

"Amor, tá em casa?"

"Não, sai, tô voltando de jurerê e passando pelo Córrego Grande."

"Tá. Preciso falar urgente com você. Vamos nos encontrar na Creperia do Córrego?"

"Me diz o que é..."

"Vai lá que eu te digo. Urgentemente!"

Chego tremendo. Está lá ela. Doce sorriso por trás de uma xícara de café. Tímida e linda.

"O que foi meu amor, tô preocupada"

"Recebi uma ligação. De trabalho"

"Que ótimo, amor! Falei que você conseguia algo logo? Onde é?"

"..."

"Onde é?"

"O que você acha do nosso bebê ser carioca?"

"..."

"..."

"..."

"..."

Expliquei toda a história. Tudinho. E dai ouço:

"Meu bem, eu estou do seu lado. Se você for, eu vou com você. Eu quero."

Ligo pro meu pai.

"Vai, filho. O mundo é teu."

Um comentário:

  1. Afe. Arrepiei. Que bom que aquela ligação não era minha.

    Se me fiz anjo foi por tuas asas.

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